Colaboração: Pe. Ivanildo Antonio Rampon
As Circulares, escritas por Dom Helder, nos revelam o Dom fazendo muitas Vigílias por Paulo VI, quase sempre para que o Papa tivesse forças de salvar a linha do Concílio revelada por Deus a João XXIII. Na Circular 72, de 13-14 de novembro de 1964, no entanto, ele faz uma intensa Vigília de Ação de Graças pelo Santo Padre:
“Terminada a Santa Missa, a grande surpresa, que os jornais, certamente, já noticiaram”. É que o Secretário Geral do Concílio, depois de lembrar que a Igreja sempre amou os pobres, anunciou que o Santo Padre ia depositar, no Altar da Oferenda, sua própria tiara, a ser vendida em benefício dos pobres.
Foi, então, que “a Basílica contemplou, emocionada, num silêncio impressionante, Paulo VI avançar com a tiara nas mãos, jogá-la no Altar e regressar feliz!… Foi um delírio!”.
Assim, Paulo VI fez uma transição simbólica da imagem imperial e monárquica do papa ligada aos Estados Pontifícios, para uma imagem pastoral, evangélica e ligada ao espírito do Vaticano II. Desde, então, nenhum outro papa pediu para ser coroado.
Pe. Ivanir Antonio Rampon
Teólogo
Algumas fontes
Camara, Dom Helder. Circulares Interconciliares. Tomos I, II, III. Recife: CEPE, (organizador: Zildo Rocha), 2009.
Rampon, Ivanir Antonio. O caminho espiritual de Dom Helder Camara. São Paulo: Paulinas, p. 224-227, 2013.
Rampon, Ivanir Antonio. Paulo VI e Dom Helder Camara – exemplo de uma amizade espiritual. São Paulo: Paulinas, p. 72-75, 2014.


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