Colaboração: Pe. Ivanir Antonio Rampon
No Terceiro Período do Concílio Vaticano II (14 de setembro a 21 de novembro de 1964), Dom Helder se dedicou profundamente à declaração da sacramentalidade e da colegialidade episcopal. Conseguiu vários apoios para o Esquema De Ecclesia que contou com 2.099 placet, 46 non placet e um voto nulo. Foi também durante o Terceiro Período que Dom Helder recebeu o pálio das mãos de Paulo VI.
Antes de receber o pálio, Dom Helder teve de descobrir o que lhe parecia um “engano”. Havia sido anunciado que a insígnia seria entregue no sábado, 10 de outubro, no Santo Ofício, pelo Cardeal Alfredo Ottaviani. Inesperadamente, o Dom recebeu um cartão do Monsenhor Enrico Dante, Prefeito das Cerimônias Apostólicas, dizendo: “o Santo Padre lhe imporá o Pálio na sexta-feira, 2 de outubro, às 13h, no Apartamento Nobre de sua Santidade”.
O Dom percebeu que ninguém mais havia recebido aquele aviso e, por isso, pensou que fora um engano: o recado deveria ser para o Cardeal Jaime de Barros Câmara ir buscar o distintivo para Dom Motta, que não poderia estar presente à celebração.
Monsenhor Scarpino, Auxiliar de Monsenhor Dante – com quem Dom Helder buscou informações –, tentou descobrir o que ocorrera: “Evangelizo tibi gaudium magnum: Sumus pontifex personaliter voluit tibi personaliter imponere Palium crastina, hora prima post meridium. (Anuncio-te uma grande alegria: o Sumo Pontífice pessoalmente quis impor-te pessoalmente, o Pálio amanhã às 13h)”.
E assim, no dia 2 de outubro, terminada a Sessão Conciliar, Dom Helder dirigiu-se aos aposentos do Papa. Os Mestres de Cerimônia o esperavam. O ritual se deu na Capela privada, vizinha ao quarto do Papa. Muito amável, seu amigo espiritual Paulo VI lhe disse: “Deus sabe a alegria que tenho de dar-lhe este Pálio”.
Alguns dias antes, Dom Helder havia escrito para a Família Espiritual: “Sábado, deverei receber o Pálio, símbolo do poder de Metropolita. Poderes não me interessam: a gente os muda em serviços. […] Há grandes esperanças de o Santo Padre apoiar a derrubada dos títulos e o começo da simplificação das vestes”.
Pe. Ivanir Antonio Rampon
Teólogo
Algumas fontes
Camara, Dom Helder. Circulares Interconciliares. Tomos I, II, III. Recife: CEPE, (organizador: Zildo Rocha), 2009.
Rampon, Ivanir Antonio. O caminho espiritual de Dom Helder Camara. São Paulo: Paulinas, p. 226-227, 2013.
Rampon, Ivanir Antonio. Paulo VI e Dom Helder Camara – exemplo de uma amizade espiritual. São Paulo: Paulinas, p. 73-74, 2014.


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