Causos do Dom: Dom Helder: “O garotinho não sabe que somos todos irmãos”

Colaboração: Pe. Ivanir Antonio Rampon

Dom Helder, em suas Circulares, gostava de partilhar com a Família Mesejanense os “flagrantes” que lhe aconteciam. Abaixo descrevemos alguns:

– “‘Mãe, D. Helder não podia ser parente da gente?’… O garotinho não sabe que somos irmãos”.

– “Miraldo que está velho e, embora tenha uma perna só desde 11 anos de idade, dirige uma oficina mecânica, veio dizer-me: ‘Já disse a Deus que ofereço com muito gosto a outra perna pra este homem ter muitos anos de vida, para ajudar a pobreza…”.

–  “Souberam do garoto que meteu a tesoura no próprio cabelo para ficar como Dom Helder?… Carequinha como o Dom…”.

– “Veio um ceguinho falar comigo: ‘Nunca tive tanta pena de não ter vista: queria ver o Senhor’. Estes e outros momentos, em cada instante, cada vez mais me confirmam na linha do Papa João”.

Alguns pobres, porém, além de esmolas, começaram a pedir abraços:

– “Passei por um cego que só tinha a seu lado o próprio Anjo. Sem dizer palavra, coloquei uma cédula na bandeja e segui. Daí a instantes o cego gritou a plenos pulmões: ‘Dom Helder, Dom Helder, venha cá’. Voltei curioso: seria cego aparente? Explicou-me: pelo tato descobri que a cédula era um Cabral. Dar Cabral a cego, sem ninguém em volta, só mesmo o Arcebispo… ‘Complete a caridade: me dê um abraço’”.

“Cabral” era chamada a cédula de 5 Cruzeiros que possuía a esfinge de Pedro Álvares Cabral.

Pe. Ivanir Antonio Rampon

Teólogo

Algumas fontes

Camara, Dom Helder. Circulares Interconciliares. Tomo I. Recife: CEPE, (organizador: Zildo Rocha), 2009.

Rampon, Ivanir Antonio. O caminho espiritual de Dom Helder Camara. São Paulo: Paulinas, p. 166-167, 2013.


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