Colaboração: Pe. Ivanir Antonio Rampon
Desde junho de 1964, Dom Helder começou a andar a pé, de ônibus ou de carona pelas ruas de Recife pois o carro que o Arcebispo utilizava fora transformado em ambulância para os pobres: “A manhã inteira, andei de ônibus e a pé. Só ontem pude parar no alto de uma ponte sobre o Capibaribe. Só ontem me misturei, de verdade e de vez, com a minha gente”.
Como ele não tinha mais um carro à sua disposição, muitas pessoas faziam questão de lhe oferecer carona. Para ele, a carona era um momento privilegiado para fazer contatos com os seres humanos: ele fazia perguntas e gostava de apreciar as respostas das pessoas. Queria saber como viviam, como era a vida familiar, quais eram os seus problemas e alegrias.
As conversas das caronas se tornavam Meditações nas Vigílias e apoio realístico para as conferências, programas de rádio e televisão, homilias etc. Dom Helder, de fato, era um “pastor com cheiro das ovelhas” – como dizia o Papa Francisco.
Quando viajava de ônibus, Dom Helder fazia questão de ceder seu lugar às pessoas: “[…] recomecei as Crismas. (Fui de ônibus a Várzea: queria que vissem a emoção do povo ao ver-me na fila e cedendo lugar às Sras. durante a viagem…)”. Tempos depois, também o Arcebispo de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio, viajava de ônibus, com o seu povo!
Pe. Ivanir Antonio Rampon
Teólogo
Algumas fontes
Camara, Dom Helder. Circulares Interconciliares. Tomo I. Recife: CEPE, (organizador: Zildo Rocha), 2009.
de Broucker, José. Helder Camara. La violenza di un pacifico. Roma: Edizioni Saggi ed esperienze, Tipografia Città Nuova, p. 39, 1970.
Rampon, Ivanir Antonio. Dom Helder transforma o Palácio do Bispo em casa dos pobres. Causos do Dom. Recife: Portal Oficial do Instituto Dom Helder Camara, 6.8.206.
Rampon, Ivanir Antonio. Francisco e Helder – Sintonia Espiritual. São Paulo: Paulinas, 2016.
Rampon, Ivanir Antonio. O caminho espiritual de Dom Helder Camara. São Paulo: Paulinas, p. 161-162, 2013.


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