Causos do Dom: Dom Helder Camara é chamado de São Francisco de Assis do Nordeste. Ele invoca Maria com o título de Nossa Senhora do Nordeste

Colaboração: Pe. Ivanir Antonio Rampon

Devido à sua proximidade, compaixão e ternura para com os pobres, Dom Helder passou a viver cercado de pobres. Vinham de todos os lados. Amavam o seu pastor, que realmente fizera uma profunda opção pelos pobres. Neste sentido, em julho de 1964, criou o Banco da Providência para assistir os pobres, mas também para ser um instrumento de superação da miséria causada pelo subdesenvolvimento.

Assim sendo, na Arquidiocese de Olinda e Recife, muitas pessoas também começaram a comparar Dom Helder com São Vicente de Paulo ou São Francisco de Assis. Ele já era comparado com estes santos no Rio de Janeiro.

Em julho de 1964, Dom Helder recebeu um soneto que ele utilizou em sua oração durante a Vigília e depois encaminhou para a sua Família Espiritual:

 Permitam a simplicidade de enviar o soneto incluso.

Peçam a Deus que eu não decepcione o meu povo. É assim, é desta maneira que os simples me veem. Só dizendo mesmo como Frei Francisco: “Peçam a Deus que eu seja o que eles pensam que eu sou”;

"Dom Helder

São Francisco de Assis dos Nordestinos,

Irmãosinho (sic!) dos pobres dos mocambos.

Amigo dos humildes, dos meninos

De pés sujos, cobertos de molambos.

Santo do sem lar, do peregrino,

Dos velhinhos que vão, os passos bambos,

Caminhando nas noites sem destino,

Rostos magros da roxa cor dos jambos.

Pastorinho do bem e da ternura

A Senhora do Céu anda à procura

De Francisco, que não voltou ainda.

Mas olhem! Lá está êle (sic!) disfarçado

Naquele Bispo magrinho, rodeado

Pelos pobres e os passáros (sic!) de Olinda";

Apesar de toda a sua opção pelos pobres, Dom Helder confessou: “A que distância ficamos dos cristãos heroicos que beijavam os leprosos!…”

Sensibilizado por tantos sofrimentos que os pobres padeciam, entregava sua prece a Nossa Senhora do Nordeste. Ele assim intitulou Maria, depois de encontrar, no Palácio São José de Manguinhos, uma “imagem querida de Nossa Senhora” toda mutilada. Ele vê nessa imagem um sinal que a Mãe lhe ofereceu como apoio na luta contra a miséria.

Pe. Ivanir Antonio Rampon

Teólogo

Algumas fontes

Camara, Dom Helder. Circulares Interconciliares. Tomo I. Recife: CEPE, (organizador: Zildo Rocha), 2009.

Piletti, Nelson e Praxedes, Walter. Dom Hélder Câmara: entre o poder e a profecia. São Paulo: Editora Ática, p. 312, 1997.

Rampon, Ivanir Antonio. Francisco e Helder – Sintonia Espiritual. São Paulo: Paulinas, p. 120, 2016.

Rampon, Ivanir Antonio. O caminho espiritual de Dom Helder Camara. São Paulo: Paulinas, p. 156-158, 2013.


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