Causos do Dom: Dom Helder realiza uma Festa Junina no Pátio do Palácio Episcopal: aproximação entre Povo e Bispo
Colaboração: Pe. Ivanir Antonio Rampon
Nos primeiros meses de seu pastoreio em Olinda e Recife, Dom Helder Camara quis realizar uma festa junina que deveria acontecer no Pátio do Palácio Episcopal. Almejava ver as crianças pobres e ricas brincando juntas como irmãs.
Com sua veia poética, Dom Helder destacou que as criaturas da terra e do céu estavam aguardando o esperado dia da irmandade:
“No jardim de nossa Casa, preparação intensiva para a abertura do Parque Infantil na véspera de São Pedro: ? o velho Tamarineiro, majestoso e belo, remoçou de tão feliz; a jaqueira deu até para tagarela; todas as árvores (sapotizeiros, oitizeiros, pés de romãs e pitangas…) andam radiantes… Só andam meio temerosas as plantas suspensas por fios em vasos de barro… Mas as flores (o jasmineiro da frente da Casa e a trepadeira dos lados) – talvez seja impressão – nunca foram tão belas e perfumadas… ? já chegou a lenha para a fogueira; ? a lua anda desolada por não poder esperar até 28… ? os pássaros não cabem em si de contentes (embora eu mesmo me aflija um tanto vendo certos ninhos que são uma tentação para a garotada); ? os Anjos foram convocados e São Miguel combinou que fiquem sob a liderança fraterna de José”.
Muitas pessoas participaram da festa no pátio do palácio. Na Circular 41, Dom Helder escreveu sobre as longas filas, a recepção, os alimentos, as danças, os sorteios… “Devo ter confiança e a simplicidade de reconhecer que o interesse mesmo – o empurra-empurra, o carinho, o calor, o delírio – era entrar ‘na casa de D. Helder’”. E acrescentou: “Mistura absoluta: netos de usineiros e garotos de beira-rio e alagadiço. […] Recife esqueceu a Revolução. Superou rancores. Rifou o medo. E entrou, confiante, na casa do pai. Deus seja louvado!”.
Dom Helder registrou um “flagrante” acontecido na festa: ‘“O Sr. precisa ser Papa, para fazer uma festa assim no Vaticano’. (Vou soprar a ideia ao Santo Padre)”.
Para Dom Helder uma “tarde destas valeu mais como promoção de Igreja, como aproximação entre povo e Bispo do que muita iniciativa do estilo antigo… Magnificat! O Senhor fez em mim maravilhas: Santo é o seu nome”.
Pe. Ivanir Antonio Rampon
Teólogo
Algumas fontes
Camara, Dom Helder. Circulares Interconciliares. Tomo I. Recife: CEPE, (organizador: Zildo Rocha), 2009.
Rampon, Ivanir Antonio. O caminho espiritual de Dom Helder Camara. São Paulo: Paulinas, p. 155-156, 2013.


Deixe uma resposta