Causos do Dom: Dom Helder opõe-se à Marcha da Família com Deus pela Liberdade

Causos do Dom: Dom Helder opõe-se à Marcha da Família com Deus pela Liberdade

Colaboração: Pe. Ivanir Antonio Rampon

Além da mudança eclesiástica que se processava em sua vida com a transferência para Recife, Dom Helder tinha diante de seus olhos as mudanças políticas que se efetivavam, no Brasil, em março de 1964.

No mesmo dia em que ele abraçava Paulo VI, 13 de março, o Presidente da República, João Goulart, e seus sustentadores como Leonel Brizola e Miguel Arraes faziam um gigantesco comício na Central do Brasil, Rio de Janeiro, em favor das reformas de base. Enquanto isso, clandestinamente, grupos contrários ao Governo arquitetavam um golpe militar.

No dia 14 de março, os jornais publicaram duas notícias importantes: a nomeação de Dom Helder como Arcebispo de Olinda e Recife e o significativo comício do Presidente João Goulart, com a presença de 200 mil pessoas.

O Comício da Central também evidenciou duas (ou mais) posturas no seio da Igreja Católica. O Cardeal Jaime Câmara demonstrou publicamente seu desacordo com o Governo, declarando-se contra o projeto de expropriação da propriedade privada para fins de reforma agrária. Justificou sua posição dizendo que a exigência da justiça não poderia tirar a terra dos proprietários para dar a quarenta milhões de analfabetos e que os que citavam a Mater et Magistra de João XXIII, para sustentar a tese da expropriação, deveriam antes fixar a atenção nos outros problemas aos quais o documento atribuía urgência prioritária.

No dia 19 de março, a ala conservadora da Igreja Católica reuniu meio milhão de pessoas para protestar contra o Governo: era a Marcha da Família com Deus pela Liberdade. Sentiam-se apoiados pelo Cardeal Jaime Câmara.

Porém, o Presidente da CNBB, Cardeal Motta, o Núncio Apostólico, Dom Armando Lombardi e o Secretário da CNBB e Bispo eleito de Olinda e Recife, Dom Helder Camara, entre outros, se opuseram à manifestação. Sabiam que este movimento era um forte apoio para um golpe militar, com posterior, torturas, mortes, violências, ferindo, justamente, a liberdade, as famílias, a democracia e o Plano de Deus.

No entanto, neste momento, Dom Helder não imaginava que ele seria declarado, o maior inimigo político da ditadura, embora ele não se considerava inimigo de ninguém…

Pe. Ivanir Antonio Rampon

Teólogo

Algumas fontes

Gonzáles José. Helder Câmara: il grido dei poveri. Roma: Edizione Pauline, p. 118, 1970, 19764.

Rampon, Ivanir Antonio. O caminho espiritual de Dom Helder Camara. São Paulo: Paulinas, p. 139-144, 2013.

Rampon, Ivanir Antonio. Paulo VI e Dom Helder Camara – exemplo de uma amizade espiritual. São Paulo: Paulinas, p. 87-89, 2014.


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