Causos do Dom: Dom Helder é transferido para Olinda e Recife. Paulo VI lhe diz: “É evidente a mão de Deus sobre a sua cabeça. A Providência se tornou tangível”

Causos do Dom: Dom Helder é transferido para Olinda e Recife. Paulo VI lhe diz: “É evidente a mão de Deus sobre a sua cabeça. A Providência se tornou tangível”

Colaboração: Pe. Ivanir Antonio Rampon

Paulo VI, ao nomear Dom Helder para Recife, estava dando um claro sinal de que aprovava a linha de ação do Secretário da CNBB. O próprio Papa lhe disse isso, no dia 13 de março de 1964, ao recebê-lo, muito feliz e de braços abertos, em uma audiência privada.

Paulo VI agradeceu porque o amigo esquecia-se de si para adotar como seus os grandes problemas da Igreja. Agradeceu pelos trabalhos realizados no Rio de Janeiro, dizendo: “ninguém me contou: vi com meus próprios olhos como e o que faz pelos pobres. Fiquei feliz vendo como os pobres o conhecem e o amam”.

Agradeceu pela CNBB frisando as palavras: a “nossa” Conferência. Demonstrou gratidão porque Dom Helder teve um “coração largo” e “visão sobrenatural” em suas ações durante o Vaticano II e pela atitude perfeita no tocante à transferência.

O Papa revelou, então, conhecer por dentro todos os passos: Salvador, São Luís, Recife. E disse-lhe “Sei que lhe custará muito arrancar-se do seu Rio [de Janeiro] e que aos seus colaboradores será também penosíssimo vê-lo partir. Quero que eles saibam que o Papa também sofreu. Mas tenham certeza de que tudo vai correr bem: quando uma criatura fica assim nas mãos de Deus opera maravilhas…”

Dom Helder disse ao Papa que estava feliz sabendo que seu caso fora analisado pelo Vigário de Cristo e agradeceu pela nomeação. Paulo VI o interrompeu para dizer: “Fique tranquilo. É evidente a mão de Deus sobre a sua cabeça. A Providência se tornou tangível”.

Antes de Dom Helder se retirar, Paulo VI quis registrar esse momento com uma foto para guardar em seus arquivos pessoais: “Faço questão de assinalar com um retrato este encontro caríssimo”. Carinhosamente, despediram-se.

Na tarde de sábado, dia 14 de março de 1964, a Rádio Vaticano anunciou a transferência de Dom Helder para a Arquidiocese de Olinda e Recife. Os estudantes do Pio Brasileiro foram correndo até a Domus Mariae: “Os seminaristas brasileiros acabam de irromper quarto adentro. Cantaram, riram, conversaram, felicíssimos! Tiveram as primícias dos planos do piccolo Pastor e eu tive a sensação de defrontar-me, pela primeira vez, com meus seminaristas”.

Dom Helder disse, posteriormente, que quando Paulo VI lhe confiou Recife, sentiu que toda a sua vida tinha sido uma grande preparação para a missão pastoral que desempenharia no Nordeste.

Pe. Ivanir Antonio Rampon

Teólogo

Algumas fontes

Camara, Dom Helder. Circulares Conciliares. Tomos I, II, III. Recife: CEPE (organizadores Luiz Carlos Luz Marques e Roberto de Araújo Faria), 2009.

Cayuela, José. Hélder Câmara – Brasil: ¿un Vietnam católico? Santiago de Chile – Buenos Aires – México – Madrid – Barcelona: Pomaire, p. 166-167, 1969.

de Renedo, Benedicto Tapia. Hélder Câmara: proclamas a la juventud. Salamanca: Ediciones Sigueme, p.18, 1976.

Piletti, Nelson e Praxedes, Walter. Dom Hélder Câmara: entre o poder e a profecia. São Paulo: Editora Ática, p. 293-294, 1997.

Rampon, Ivanir Antonio. Dom Helder é nomeado Bispo de São Luís, mas logo depois, de Olinda e Recife. Causos do Dom. Recife: Portal Oficial do Instituto Dom Helder Camara, 16.5.2025.

Rampon, Ivanir Antonio. O caminho espiritual de Dom Helder Camara. São Paulo: Paulinas, p. 134-136, 2013.

Rampon, Ivanir Antonio. Paulo VI e Dom Helder Camara – exemplo de uma amizade espiritual. São Paulo: Paulinas, p. 84-87, 2014.


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