Causos do Dom: Francisco de Assis deu lições ao Pe. Helder…
por Ivanir Antonio Rampon
No final de 1940, o Pe. Helder leu o livro São Francisco de Assis e a revolução social que lhe causou forte impressão a ponto de Pe. Helder se reconhecer e querer ser um novo Francisco: como o Poverello, também ele queria renovar a liturgia atualizando-a e aproximando-a do povo; também queria transformar a sociedade para oferecer vida digna aos pobres. Ele sublinhou a parte em que o autor comenta que São Francisco deu uma lição de heroísmo interior para quem só acreditava no heroísmo das armas; deu uma lição de pobreza para os que amavam o ouro e as honrarias; deu uma lição de trabalho para os que só acreditavam na nobreza das armas; deu uma lição de alegria vital e generosa para aqueles que viam o mundo deformado e consideravam o belo corpo humano como um aliado obscuro do demônio, ao invés de uma fonte de alegrias legítimas.
A vida de São Francisco de Assis tornou-se, portanto, uma importante fonte de inspiração no caminho espiritual do Pe. Helder. Francisco de Assis será “presença espiritual” constante nas suas Vigílias e com ele manterá um devotado “diálogo espiritual”. Tempos depois, nos momentos de reafirmar a importância da opção pelos pobres, Dom Helder usará o cognome de Frei Francisco.
O seu Santo predileto será inspiração para as mudanças que realizará na Arquidiocese de Recife durante e após o Vaticano II e para a sua missão de “peregrino da paz” em busca da “Senhora Justiça”. Dom Helder será chamado pelo povo de “São Francisco do Nordeste”. Ao completar 75 anos, criará a Fundação Obras de Frei Francisco.
Pe. Ivanir Antonio Rampon
Algumas fontes:
Ernesto Pinto, Francisco de Assis e a Revolução Social. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editôra, Cadernos Paz e Bem, direção de Frei Elzeário Schmitt, OFM, p. 126, 1956.
Ivanir Antonio Rampon, O caminho espiritual de Dom Helder Camara. São Paulo: Paulinas, p. 49, 2013.
Nelson Piletti e Walter Praxedes, Dom Hélder Câmara: entre o poder e a profecia. São Paulo: Editora Contexto, p. 146-147, 2008.


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