Causos do Dom: Pe. Helder vê seu irmão regressando à fé após confissão e comunhão
por Ivanir Antonio Rampon
No início de outubro de 1946, Eduardo Camara, irmão do Pe. Helder, estava para morrer devido à cirrose. Ele pediu uma conversa íntima com o Pe. Helder e lhe disse:
– “Sei que você é mais inteligente que eu. Você tem uma cultura muito, muito maior que a minha e eu tenho grande confiança em você. Nunca percebi separação entre sua fé e sua vida”.
Depois lhe perguntou:
– “É possível ter fé por representação, beneficiar-se da fé de outro em quem se acredita? Eu acredito em sua sinceridade, mas perdi a fé. Posso receber a Comunhão me apoiando em sua fé?”.
Comovido, Pe. Helder consolou seu irmão dizendo:
– “Meu irmão, estou certo de que sua humildade, porque isto é humildade de sua parte, será recompensada pelo Senhor. Não tenho a menor dúvida. Vou dar-lhe a Comunhão e o Senhor lhe abrirá os olhos como você merece”.
Mas, antes de comungar, Eduardo quis se confessar. Pe. Helder propôs chamar o Pe. José Távora, mas Eduardo insistiu que tinha de ser com Pe. Helder. Depois da Confissão e Comunhão, Eduardo sentiu-se convertido:
– “Eu acredito! Eu acredito! E não é simplesmente porque você acredita… Agora eu acredito”.
Poucas horas depois, Eduardo gritou pela mãe e morreu de uma parada cardíaca.
Quando criança, Eduardo era religioso praticante e estudou em uma Escola Marista. Mas, em seguida, perdeu a fé. Sempre que o Pe. Helder saía para celebrar uma Missa, ele perguntava o que iria dizer na homilia. Ouvia e não fazia comentários.
Pe. Ivanir Antonio Rampon
Algumas fontes:
Dom Helder Camara. Le conversioni di un vescovo. Torino: Società Editrice Internazionale. Prefazione di José de Broucker, p. 110. [Original Lés conversions d’évêque: Editions Seuil, 1977].
Ivanir Antonio Rampon, O caminho espiritual de Dom Helder Camara. São Paulo: Paulinas, p. 50-51, 2013.
Nelson Piletti e Walter Praxedes, Dom Hélder Câmara: entre o poder e a profecia. São Paulo: Editora Contexto, p. 149-150, 2008.