Atualidades 2 – Os Caminhos do Dom

Atualidades 2 – Os Caminhos do Dom

Rota da Fé em Pernambuco

O estado de Pernambuco, como a sua bandeira bem o demonstra,  é formado por uma mistura de cores, de raças, de sons, de comidas, danças e também de crenças.

Tudo isso junto e misturado, convivendo, lado a lado, trocando experiências e tradições.

Estado rico em cultura e alegria, é também rico em Fé.  E, dentro da religiosidade que envolve Pernambuco, a Fé Católica tem uma figura que abarca todas as cores, todas as dores e todas as formas de crer, porque nele, encontramos, enraizado, o mais puro amor ao próximo.

Estamos falando de um pequeno grande homem, que nasceu no Ceará, passou pelo Rio de Janeiro e adotou Pernambuco como morada definitiva.

E, a partir de agora, os Caminhos que ele percorreu, trazem a sua história para a Rota da Fé e nos leva a percorrer os Caminhos por onde Dom Helder passou e foi deixando suas marcas, espalhando sementes de vida, escrevendo a história com as cores da justiça.

A inserção dos Caminhos do Dom no Roteiro da Fé foi anunciada, oficialmente, na manhã da última quarta-feira, dia 27 de novembro, na igreja das Fronteiras em um evento que contou a presença de Daniela Alecrim, Isabella Miranda, da EMPETUR, Tatiana Marques, da Câmara temática só turismo religioso, autora da proposicão para Os Caminhos do Dom, do secretário de Turismo, Paulo Neri, do reitor da Unicap, Pe. Pedro Rubens, dos diretores do IDHeC Virgínia Pimentel, Normândia Medeiros, Sèrgio Menezes, Edelomar Barbosa e Christina RIbeiro, das conselheiras Irmã Vanda Araujo (presidente) Elizabeth Barbosa (Vice-presidente), Geralda Farias e Cylene Araújo e dos associados Germana Siqueira e Félix Filho.

.A diretora Executiva do IDHeC fez a acolhida, resaltando a importância do lançamento dos Caminhos do Dom e agardecendo à Secretaria de Turismo de Pernambuco e à EMPETUR. Na abertura, tivemos a Ave Maria Sertaneja, na voz do tenor Lucas Melo, acompanhado por Jonathan Malaquias no acordeon.

Em seguida, tivemos as falas de Tatiana Marques, do secretário de Turismo Paulo Neri e do reitor da Unicap, Pe. Pedro Rubens.

Para encerrar o momento, tivemos a apresentação musical da cantora Cylene Araujo, cantando os frevos e os xotes que o Dom gostava.

Após o encerramento na igreja das Fronteiras, todos e todas se dirigiram para o pátio, onde a placa nº 1 dos Caminhos do Dom está afixada, ao lado da estátua de Dom Helder.

Que tal, agora, conhecermos os Caminhos do Dom?

Foram dez locais escolhidos para contar um pouco da história do arcebispo Dom Helder Camara.

01 – IDHeC

O Instituto Dom Helder Camara foi fundado pelo próprio Dom Helder, em 1984, com o nome de Obras de Frei Francisco até o ano de 2003, quando foi renomeado em sua homenagem. É formado pelo Memorial Dom Helder Camara, Casa de Frei  e Novo CedoHC.

–  MEMORIAL – Compõem o Memorial: A igreja Nossa Senhora da Assunção das Fronteiras ou simplesmente igrejinha das Fronteiras, a Casa Museu- local onde, após aderir ao Pacto das Catacumbas, Dom Helder morou por 31 anos, atrás do altar mor da igreja, O Espaço Dom José Lamartine, ou o Terraço das Fronteiras, onde ele gostava de sentar e conversar, hoje espaço para reuniões e a Exposição Permanente, onde estão seus objetos de uso pessoal, como batinas e a cruz de madeira, prêmios, fotos e a sua querida coleção de corsas.

–   NOVO CEDOHC O Novo CedoCH está em fase de construção e, quando concluído, abrigará , com segurança e praticidade, todo o acervo de escritos do Dom e sobre ele, com cerca de 200 mil páginas e algo em torno de 19 mil imagens.

02 – CASA DE FREI FRANCISCO

Fundada por Dom Helder em 1984, teve seu terreno comprado e sua construção realizada com o fruto de prêmios que o Dom recebia no exterior. Criada originalmente para ser um tipo de albergue, hoje é um local de apoio para crianças e adolescentes, no contra turno escolar com oficinas de música, informática, lógica e leitura e cursos de matemática e estatística, além de assistência psicossocial, fornecendo duas refeições por turno e preparando para o projeto Jovem Aprendiz, no qual, nos últimos 4 anos, teve 400 jovens ingressados.

03 – PALÁCIO SÃO JOSÉ DOS MANGUINHOS

Residência oficial dos arcebispos de Olinda e Recife a partir do início do século XX, teve sua função diversificada, nos tempos de Dom Helder, que utilizou o local  para encontros por diferentes segmentos sociais, inclusive para encenações teatrais, realizando as famosas “noitadas culturais”. E, a partir de 1968, após sua adesão ao Pacto das Catacumbas, deixou de ser sua residência oficial, que passou a ser a sacristia da igrejinha das Fronteiras.

 Mas, o Palácio dos Manguinhos continuou a exercer um papel importante durante seu arcebispado, tendo suas portas sempre abertas para os pobres. Ali funcionavam o Banco da Providência e a Farmácia Popular.

04 – JUVENATO DOM VITAL

Localizado na rua do Giriquiti, abrigou, inicialmente, várias instituições de ensino. Durante o arcebispado de Dom Helder, passou a abrigar instituições da Arquidiocese de Olinda e Recife.

Além da Cúria Metropolitana, passou a funcionar no prédio a sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – Sessão Regional Nordeste II (CNBB NE II) e o Instituto de Teologia do Recife (ITER).

Em 1973 o Giriquiti era o centro do mundo de muitas pessoas. Ali estavam muitas pastorais comprometidas com os pobres. No prédio circulavam muitas pessoas além da figura de Dom Helder que dava o tom de nosso amoroso samba comum misturado com forró e Bach. Por lá andava Dom Lamartine com sua solenidade e sorriso. Por lá andava Dona Menininha da Biblioteca e da ajuda aos que precisassem dela.

05 – RÁDIO OLINDA

Criada em 8 de dezembro de 1953, inicialmente com o objetivo de atender  a interesses políticos, foi adquirida pela Arquidiocese de Olinda e Recife, na década de 1960, com uma nova missão: levar o evangelho não só para região metropolitana, como para todo o Estado.

À época da ditadura militar passou para a ordem dos padres Paulinos, só voltando à AOR em 2008.

Foi na Rádio que, de 01 de abril de 1974 até 22 de abril de 1983 foi ao ar,  o programa Um Olhar Sobre a Cidade, onde, de segunda a sábado, pontualmente às 6h55, Dom Helder lia crônicas com mensagens do dia a dia, de amor, fraternidade, mas também de preocupação com problemas inerentes ao modo de vida daqueles tempos.

06 – SEMINÁRIO REGIONAL NORDESTE II (SERENE)

“Inauguração que vale um símbolo”, esse foi o título do discurso de inauguração do Seminário Regional Nordeste II proferido por Dom Helder Camara, no dia 05 de maio de 1965, em Camaragibe. O SERENE II foi uma experiência de seminário que buscava uma formação para os jovens vocacionados não apenas religiosa, mas, também com total vivência nas comunidades de base. Atualmente, no prédion funciona a Faculdade de Odontologia de Pernambuco (FOP).

07 – UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PERNAMBUCO

A Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) é uma universidade comunitária, vinculada  à Companhia de Jesus. Iniciou com a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Manoel da Nóbrega, em 18 de abril de 1943. E em 27 de setembro de 1951 ocorreu sua formalização como uma universidade. Nela Dom Helder Camara recebeu o título de Doutor Honoris Causa, no ano de 1983, em comemoração aos 40 anos de fundação da instituição. Em 2018, a UNICAP, junto com a UNESCO, criou a cátedra Dom Helder Camara de Direitos Humanos.

Um fato histórico, envolvendo Dom Helder a a Unicap, aconteceu em 1968, no período da Ditadura Militar, quando ele saiu em defesa dos estudantes que buscaram abrigo dentro do campus, para fugir de uma perseguição dos militantes em represália  a uma passeata nas ruas do Recife.

Os militares cercaram o campus e sitiaram os estudantes. Ao ter ciência deste fato Dom Helder se dirigiu até a universidade para mediar a situação que poderia ter resultado em graves consequências. Tal acontecimento ficou conhecido como Cerco à Unicap.

08 –  PRAÇA PADRE HENRIQUE

        (MOVIMENTO TORTURA NUNCA MAIS)

O Monumento Tortura Nunca Mais é localizado na praça Padre Henrique (Rua da Aurora, Recife).

Pe. Antonio Henrique, ligado a Dom Helder Camara e a quem ele confiava a condução da juventude na Arquidiocese foi sequestrado, torturado e morto, em 27 de maio de 1969, para atingir diretamente o arcebispo.

No dia 10 de dezembro de 2020, ano em a Declaração Universal dos Direitos Humanos completou 72 anos, foi criada a Calçada da Memória, ao lado do Monumento Tortura Nunca Mais. Foram instaladas placas em homenagem aos desaparecidos políticos da época da ditadura militar. Dom Helder Camara também foi homenageado com uma placa no local.

09 – MEMORIAL DA DEMOCRACIA DE PERNAMBUCO FERNANDO VASCONCELOS

*O Memorial da Democracia de Pernambuco Fernando de Vasconcellos Coelho, inaugurado em 29 de dezembro de 2022, é um espaço para preservação da memória, das lutas por liberdade e por justiça social. Instalado no casarão do Sítio Trindade, o Chalé Trindade Peretti, em Casa Amarela, o memorial abriga um vasto acervo documental da Comissão da Memória e Verdade Dom Helder Câmara, criada em 2012, pelo ex-governador Eduardo Campos. O acervo resultou em uma exposição que ocupa cinco salas do casarão tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

O espaço dedicado à preservação da memória das lutas pela democracia conta com salas com exposição onde o visitante poderá acessar versões digitais do relatório final da Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Câmara (CEMVDHC), com mais de 800 páginas, e os mais de 70 mil documentos coletados, entre prontuários, certidões de óbito, entrevistas e depoimentos. Está previsto ainda no equipamento uma biblioteca

com títulos que convergem para a temática proposta pelo memorial, sala para palestras, debates e para exibição de filmes.

O Memorial recebe o nome do advogado, professor e político Fernando de Vasconcelos Coelho, que foi o coordenador geral da CEMVDHC, onde encerrou a vida pública. Fernando se destacou nas ações de combate à ditadura militar. Personalidade consagrada do estado, faleceu em 2019.

10 – IGREJA DE SÃO SALVADOR DO MUNDO – CATEDRAL DA SÉ EM OLINDA

*Dedicada a Jesus Cristo como Salvador do Mundo, foi originalmente construída em taipa (barro), no ano de 1540. Depois, passou por reconstruções e reformas, sendo substituída por outro templo em 1584, maior, de alvenaria e com várias capelas secundárias, erguido por iniciativa do Frei Antônio Barreiro, terceiro Bispo do Brasil. Em 1616, foram edificadas a sacristia e dependências anexas por Cristóvão Álvares, e pouco mais tarde, foi elevada à dignidade de Matriz de São Salvador do Mundo. No ano de 1676, com a criação do Bispado de Olinda, a antiga matriz foi elevada à condição de Catedral.

É lá que se encontram os túmulos de Dom Helder Camara, ladeado por seu secretário para assuntos da juventude, Pe. Antonio Henrique e Dom José Lamartine, seu bispo auxiliar.

E, do lado esquerdo do altar, encontramos uma espaço dedicado ao Dom, com fotos e frases de Dpm Helder, onde podemos encontrar um pedaço de seus ensinamentos e exemplo de vida.

A Catedral da Sé Metropolitana guarda ainda, em seu terraço, uma das mais encantadoras vistas das cidades-irmãs Olinda e Recife.

Ao percorrer os dez locais que compõem o Caminho do Dom, estaremos imergindo na história de Dom Helder Camara, conhecendo um pouco da sua história e nos tronando, cada um, cada uma, semeadores de sementes de amor, justiça e paz.

FOTOS – @victoriaclic

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