UM OLHAR SOBRE A CIDADE – JUVENTUDE OPERÁRIA

 
 
 Terça-feira, 30.11.1982
Meus queridos amigos
 
Neste mês de novembro, que hoje termina, festejam-se, um pouco no mundo inteiro, o centenário de nascimento de José Cardjin, o fundador da JOC, Juventude Operária Católica. 
 
Ele nasceu na Bélgica, em um subúrbio de Bruxelas, de uma família de operários. Com seis anos, na escola, já ajudava seu pai a distribuir carvão.
 
 Aos 12 anos, quiseram que ele trabalhasse para ajudar a família e ele disse: “Sinto que Deus me chama. Quero ser Padre”. Seu pai, homem de fé, não vacilou um instante: “Para oferecer um filho a meu Deus, com alegria duplicarei meu trabalho”.
 
 Quando Cardjin tinha 21 anos, foi chamado às pressas junto ao leito do pai que morria. O pai ergueu a mão abençoando o filho. E Cardjin fez naquele instante um juramento que cumpriu de modo admirável: “Pai, o senhor se matou por mim. Eu me matarei de trabalhar pela classe operária”. 
 
Cardjin veio umas três ou quatro vezes ao Brasil. Falou, em francês, a trabalhadores que não conheciam uma só palavra de francês. Mas Cardjin falava com os olhos, com os braços, com as mãos, com o corpo, com a alma… No fim, os trabalhadores guardavam a impressão de ter entendido tudo.
 
 Quantas vezes, falando no estrangeiro, a exemplo de Cardjin, digo que minhas mãos e o meu coração falam todas as línguas muito bem. Cardjin imortalizou o método de ver, julgar e agir.
 
 Em lugar de jogar teorias e mais teorias em cima de auditórios simples, ele, através da querida JOC e da ACO, Ação Católica Operária, ensinou-nos, a partir da realidade que os ouvintes humildes conheçam melhor, a realidade em que vivem mergulhados, lembrando que a realidade só é bem conhecida quando a gente vai às causas, às raízes. 
 
Não basta saber que há fome, que há desemprego, que falta casa, falta transporte, a saúde é precária, falta escola. Cardjin nos habituou a querer saber por quê… Ver é o ponto de partida.
 
 Mas para quem tem a alegria e a responsabilidade de ter fé, é indispensável que a realidade descoberta pelo ver, seja julgada à luz do Livro Santo, da Bíblia, de modo especial do Evangelho. 
 
Importantíssimo o segundo passo: julgar à luz da Palavra de Deus. No método da JOC, que herdamos de Cardjin, o ver e o julgar conduzem ao agir. 
 
Quando o apóstolo dos operários saiu semeando JOC e ACO pelo mundo, nem podia imaginar que o método jocista teria influência decisiva no Concílio Ecumênico Vaticano II. O Santo Padre, para homenagear os trabalhadores do mundo inteiro, quis Cardjin, como Padre Conciliar, como Cardeal. Do céu, o incansável Apóstolo dos Operários continua e continuará ajudando a humanidade toda, mas tendo sempre opção preferencial pelos trabalhadores.

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