
Após-Concílio
Recife, 26/27.11.66
173ª Circular
Vigília de Ano Novo
1ª Dominga do Advento
À querida Família Mecejanense
Mais um ano se abre e somos obrigados a pedir, com o Salmista, que o Senhor nos mostre os seus caminhos e nos ensine suas veredas… Fica-nos a humilhação confiante de sempre recomeçar…
Mais um ano se inicia e somos obrigados a pedir que o Cristo venha, quando Ele já está conosco, é um conosco desde o nosso batismo…
Mais um ano nos visita e São Paulo continua a lembrar-nos de que é tempo de despertar… Continua a luta entre as trevas e a luz… Continuamos a precisar da misericórdia divina, que invocamos nos versículos do Gradual…
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Sempre achei curioso que o ano se abra, utilizando o mesmo Evangelho do fim do Mundo, com que se fechou o Ciclo de Pentecostes. Por que começar o ano, lembrando o fim do Mundo?
É curioso! É perfeitamente possível conciliar o amor às realidades terrestres com a constatação de sua precariedade. O amor à vida terrena não exclui o reconhecimento de como é breve, juncada de tristezas, o que deixa permanente nostalgia de céu.
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“O Senhor dará sua bênção e nossa terra dará o seu fruto”.2 Nossa
terra somos nós mesmos. Com a bênção divina daremos frutos e frutos abundantes…
* Estou seguindo, com alegria de criança, o florir dos flamboyants e das acácias. Já não me causa a mesma serena alegria ver nossas mangueiras e o imenso tamarindo se encherem de frutas. Como no ano passado, os pobres invadiram demais o quintal, [fl. 2] e se atritaram, brigaram, acha D. José [Lamartine] que, para bem deles, é preferível vender a carga a alguém que policie o quintal, evitando os embates de 65…
Não terei mais a alegria de ver Pobres almoçando mangas… E terei que aceitar a pobreza de ver vendidas as frutas que são tão deles e mais deles do que minhas…
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Também não vai ser possível – ao que parece – meu plano sobre o Manguinhos.
D. José considera a Casa muito fora de mão, para que aqui se instale o Secretariado.
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Quando se é Bispo Auxiliar, imagina-se que o Bispo Diocesano é Senhor de seus planos e de sua vida. Quando se nota o engano pleno, fica-se pensando que quem manda mesmo, quem faz o que quer é o Papa… O coitado sabe como manda pouco.
O importante é aceitar o despojamento da própria vontade, não como quem se arrasa, e fica infeliz. Mas como quem exulta, por fazer não a própria, mas a vontade do Pai.
Não vale dizer que não é vontade do Pai, mas dos homens e de homens sem compreensão e sem grandeza. Engano. D. José e eu somos sempre mais amigos. Sempre mais irmãos. Que culpa tem ele se o Pai, aqui e ali, o escolhe para podar-me e unir-me ainda mais ao irmão Jesus Cristo? …
Bênçãos saudosas
do Dom

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