
Terça-feira, 5.4.1977
Meus queridos amigos
Quando, desde criança, a gente escuta a narrativa da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, uma das figuras que mais tristeza nos causa é a de Pilatos. Ele estava certo da inocência de Cristo.
Não queria, por nada, que ele fosse condenado. Ainda ficou mais desejoso de salvar o Cristo quando recebeu da esposa um Recado, que não tocasse em Jesus, pois ela tinha tido sonhos que eram alertas graves sobre a necessidade de não deixar que um inocente fosse condenado.
Pilatos sabia que estava nas mãos dele condenar ou libertar Jesus Cristo. Andou tentando salvar o Cristo. Mas teve medo de desagradar César, imperador de Roma, de quem ele dependia. E para não desagradar a César, acovardou-se, omitiu-se, lavou as mãos para fazer crer que era inocente do sangue daquele Justo. Mas, de fato,entregou o Mestre a sanha dos que desejavam crucificá-lo.
Fizestes escola, Pilatos! Tens mais discípulos, através dos tempos e dos lugares, do que tu mesmo possas imaginar. Há pessoas bastante inteligentes para entender a situação e saber com quem está a razão. Mas, se os grandes, os poderosos, aqueles que mandam, decidem dizer que é azul, tem que ser azul. Lavar as mãos, querendo fazer crer que não tem culpa, moda lançada de ter coragem e fibra.
Pilatos continua a ser imitado.
Assim como através dos séculos a covardia de Pilatos não enganou ninguém, o mesmo acontece com os covardes de todos os temos. Que Pilatos tivesse medo compreende-se, como é fácil de entender que fibra coragem não dependem só do desejo de ter coragem e fibra.
Que Pilatos temesse perder seu posto de representante de César, seu posto de governador é facílimo de entender, como é facílimo de entender os que, através dos tempos, tremem diante do perigo de perder seus postos. Mas, se surge o perigo de a covardia fazer matar fisicamente ou ferir moralmente — o jeito é agarrar-se com a graça divina e dizer não.
Pilatos! Pilatos! Quem sabe, a misericórdia divina te perdoou, bastando-te o castigo de atravessares os séculos como exemplo acabado do superior que, de tão medroso e covarde, chega a ser conivente com as torturas e matança de inocentes?
Que o Espírito de Deus envie sua força aos medrosos, aos covardes, ao menos para evitar que eles se metam a lavar as mãos como inocentes por um sangue que eles não querem ver, no qual não querem pensar, mas sangue que não só lhes mancha as mãos, mas a alma e o coração!

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