Causos do Dom: Concílio Vaticano II: Monsenhor Felice pede para Dom Helder não divulgar a homilia que faria na Missa com os jornalistas

Causos do Dom: Concílio Vaticano II: Monsenhor Felice pede para Dom Helder não divulgar a homilia que faria na Missa com os jornalistas

Colaboração: Pe. Ivanir Antonio Rampon

Dom Helder Dom Helder celebraria uma Missa, no domingo, 25 de novembro de 1962, com os jornalistas, do mundo inteiro, credenciados para divulgar o Concílio. Para tal momento, preparara cópias da homilia. Mas no dia 23 foi procurando por um Monsenhor do Vaticano, em nome do Secretário Geral do Concílio: “Estava aflitíssimo. Disse que antes de vir, ele e Mons. Felice tinham rezado juntos para o êxito da missão. Meu discurso já estava traduzido e mimeografado (e ele me deu cópias em várias línguas) quando Mons. Felice o viu. E mandou fazer-me um apelo para que eu concordasse em não o divulgar porque iria causar tristeza ao Santo Padre. Fui amável e respondi que agradecia a confiança de Mons. Felice; que concordava inteiramente com a retirada do discurso (ele poderia ficar tranquilo que eu diria aos jornalistas palavras que de nenhum modo criariam problemas). E frisei que agiria pensando não só no Santo Padre, mas nele Felice, que dá a vida pelo Concílio, que se mata de trabalhar e a quem de modo algum queria contristar. Firmado isto eu pedia vênia para dizer com Galileu: “e pur si muove”. As críticas existem. A decepção é grande. Meu discurso era uma tentativa de reacender a confiança da imprensa no Concílio”.

O jornalista Henri Fesquet escreveu que no mesmo dia em que João XXIII elogiava a “sancta libertas”, um dos Padres Conciliares, encarregado de celebrar a Missa dos jornalistas, se viu moralmente obrigado a modificar a homilia que havia preparado. O Ofício de Imprensa havia considerado fora de lugar o conteúdo daquele discurso. Dom Helder Camara, Arcebispo titular de Salda e Auxiliar do Cardeal do Rio de Janeiro, que foi a vítima desse infeliz incidente, é um dos prelados mais populares da América Latina. Apelidaram-no de “Bispo das favelas”, por causa de sua atividade caritativa em favor dos que “moram em barracos” da sua Diocese, aos quais busca dar casas. No seu discurso, ele se colocava contra a pompa da Missa de inauguração do Concílio e deixava a entender que, no final da sessão, seria mais conveniente celebrar uma Missa de penitência que uma cerimônia de ação de graças. Dom Helder teria escrito que é imperdoável que o Concílio não tenha ainda afrontado nenhum dos maiores problemas do nosso tempo. Todavia, ele se alegrava com o discurso do Papa, inspirado pelo Espírito Santo, que havia salvado toda a cerimônia, e também a atmosfera de liberdade da Congregação Geral que muito edificou os observadores não católicos. Ele ressaltou, no entanto, que, devido ao pedido de numerosos Bispos, João XXIII tinha a intenção de criar uma comissão especial encarregada de estudar os problemas dos países subdesenvolvidos, da superpopulação, da fome, da guerra atômica, da paz. Fesquet conclui dizendo que se algumas de suas frases eram desagradáveis a certos ambientes romanos, eram também acolhidas com satisfação por todos os auditores que se alegram com o aggiornamento da Igreja.

Pe. Ivanir Antonio Rampon

Teólogo

Algumas fontes

Camara, Dom Helder. Circulares Conciliares, I – de 13/14 de outubro de 1962 a março de 1964, II – de 12 de setembro a 22/23 de novembro de 1964, III – de 10/11 de setembro a 7/8 de dezembro de 1965, Obras Completas de Dom Helder, Recife: Cepe, 2009.

Rampon, Ivanir Antonio. O caminho espiritual de Dom Helder Camara. São Paulo: Paulinas, p. 210-211, 2013.


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