Causos do Dom: Concílio Vaticano II: Dom Helder lidera o “Ecumênico” – um ensaio do Sínodo dos Bispos

Vaticano II

Causos do Dom: Concílio Vaticano II: Dom Helder lidera o “Ecumênico” – um ensaio do Sínodo dos Bispos

Colaboração: Pe. Ivanir Antonio Rampon

As reuniões do Ecumênico – grupo informal criado e liderado por Dom Helder Camara no início do Concílio Vaticano II – além de reunir Bispos brasileiros e de outros países, eram abertas aos estudantes do Pontifício Colégio Pio Brasileiro.

Os encontros do Ecumênico chamaram a atenção da imprensa e incomodaram muitos na Cúria Romana, notadamente os responsáveis pelas Congregações dos Religiosos e dos Seminários. A Congregação para os Seminários baixou uma nota proibindo a participação de estudantes – não apenas os do Pio Brasileiro – de participarem das conferências. Dom Pericle Felice, Secretário Geral do Concílio, fez um esclarecimento, quase uma advertência, em plena Aula Conciliar dizendo que as reuniões não tinham valor de oficialidade – declaração que se tornou motivo de ironias entre os Bispos brasileiros.

O Ecumênico, além da proteção e colaboração direta e imediata do Cardeal Suenens, contava com o apoio de Cardeais da França, Bélgica, Holanda e Chile e era assessorado, especialmente, pela Opus Angeli. Na agilização dos trabalhos do grupo, Dom Helder era auxiliado pelo Pe. Antônio Guglielmi o qual articulou uma série de conferências com grandes teólogos que permitiram aos participantes do grupo fazerem parte de uma “escola de atualização teológica”.

Um momento importante aconteceu em novembro de 1964, quando o próprio Papa Paulo VI pediu ao grupo um estudo sobre a possibilidade de um Senado junto ao Santo Padre. Dom Helder, na sua Vigília, meditou: “A princípio, funcionávamos, não direi clandestinamente, mas sem nenhum conhecimento dos Grandes. Um dia, passamos a ter um Cardeal que, depois, foi nomeado Moderador [Cardeal Suenens]. A partir da metade da 2.ª Sessão, os Moderadores passaram a dialogar conosco. Desde o começo, dirigíamos petições ao Santo Padre, e tanto João XXIII como Paulo VI sempre atenderam aos nossos apelos. Agora, é o Papa quem nos pede um estudo”.

Segundo Dom Helder, “jamais surgiu, em qualquer de nossas reuniões, a mais leve sugestão que tivesse como origem interesse pessoal, vaidade de grupo, espírito de rivalidade. Sempre e apenas, amor à Igreja e o desejo de corresponder plenamente à confiança do Santo Padre e aos planos da Providência. O Ecumênico não deixa de ser um ensaio do Sínodo dos Bispos”.

Pe. Ivanir Antonio Rampon

Teólogo

Algumas fontes

Bandeira, Marina. “D. Hélder Câmara e o Vaticano II”. Petrópolis: Vozes LXXXXII, p. 973-976, 1978.

Beozzo, J. “Dom Helder Camara e o Vaticano II”. In: Rocha, Zildo. Helder, o Dom. Uma vida que mar­cou os rumos da Igreja no Brasil, 105.

Camara, Dom Helder. Circulares Conciliares, I – de 13/14 de outubro de 1962 a março de 1964, II – de 12 de setembro a 22/23 de novembro de 1964, III – de 10/11 de setembro a 7/8 de dezembro de 1965, Obras Completas de Dom Helder, Recife: Cepe, 2009.

De Broucker, José. As noites de um profeta: Dom Helder Câmara no Vaticano II. São Paulo: Paulus, p. 53-54, 2008.

Marques, Luiz Carlos Luz. “As circulares conciliares de Dom Helder”. In: Camara, Helder. Circulares conciliares, I, XLVI-XLVII).

Rampon, Ivanir Antonio. Francisco e Helder – Sintonia Espiritual. São Paulo: Paulinas, p.119, 2016.

Rampon, Ivanir Antonio. O caminho espiritual de Dom Helder Camara. São Paulo: Paulinas, p. 203-205, 2013.

Rampon, Ivanir Antonio. Paulo VI e Dom Helder Camara – exemplo de uma amizade espiritual. São Paulo: Paulinas, p. 61 e 72, 2014.


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