Causos do Dom: Concílio Vaticano II: Dom Helder inicia o Grupo Ecumênico

Causos do Dom: Concílio Vaticano II: Dom Helder inicia o Grupo Ecumênico

Colaboração: Pe. Ivanir Antonio Rampon

Nos primeiros dias do Concílio Vaticano II, Dom Helder fez esforços enormes para ajudar os padres conciliares a participarem ativamente do Concílio Vaticano II. Um ponto alto de tantos esforços em vista do intercâmbio entre os diversos Episcopados aconteceu no dia 10 de novembro de 1962, em uma reunião, na Domus Mariae, com representantes dos Episcopados dos cinco continentes. O anseio poderia estar no ar, mas foi Dom Helder quem assumiu a iniciativa de convidar, em nome da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, além de representantes do Conselho Episcopal Latino-Americano, representantes da África, da Ásia e da Europa.

Uma das decisões tomadas foi a de que o grupo se reuniria com regularidade. Desde então, durante as quatro sessões do Concílio, nas sextas-feiras, às 17 horas, representantes das Conferências Episcopais, com delegações por continentes, reunir-se-iam na Domus Mariae. Dom Helder foi escolhido como diretor dos debates desse grupo informal, com pleno conhecimento do Papa. No segundo encontro “do grupo fraterno do mundo inteiro” foi o próprio Dom que começou a chamá-lo de “Ecumênico”.

O nome está associado ao Concílio Ecumênico, à presença de pessoas de todas as partes do mundo, à postura dialogal e fraterna dos participantes, às muitas línguas, ao “espírito do Concílio”. Escreveu Dom Helder: “Dirigi a reunião em francês e inglês (encarregava-me de traduzir para os de língua inglesa o que diziam os de língua francesa e vice-versa). O Eu [Dom José Távora] (que sempre está comigo em tudo) tomou um susto: era a primeira vez que ele me via solto, falando inglês. O engraçado era o medo dele de que eu não fosse fiel na tradução… Mas Deus nessas horas me dá o dom das línguas. Se Deus quiser vou aprender a falar alemão”.

O Ecumênico teve papel insubstituível na agilização dos trabalhos do Concílio Vaticano II permitindo a participação mais efetiva dos Padres Conciliares na elaboração dos Documentos, além de ser o melhor mecanismo de troca de pontos de vista entre os membros do Episcopado mundial. Nas palavras de Dom Helder, o Ecumênico “teve a alegria de ser o fermento bom e o agente de numerosas ideias que o Santo Padre aprovou” e “é admirável, sobretudo para dois fins: pressentir o que vai ocorrer na Basílica e pôr em circulação, no mundo inteiro, algumas ideias válidas…”.

Acrescenta-se que a convivência informal de bispos dos cinco continentes permitiu um melhor conhecimento das diferentes culturas e das preocupações e anseios, o que levou ao enriquecimento mútuo e ao fortalecimento da Igreja Universal. De fato, as conferências colocavam os Bispos em contato com a melhor teologia europeia, as experiências do Oriente cristão ligado a Roma, com as tradições ortodoxa e protestante e com a incipiente reflexão pastoral e teológica latino-americana.

Pe. Ivanir Antonio Rampon

Teólogo

Algumas fontes

Bandeira, Marina. “D. Hélder Câmara e o Vaticano II”. Petrópolis: Vozes LXXXXII, p. 973-976, 1978.

Beozzo, J. “Dom Helder Camara e o Vaticano II”. In: Rocha, Zildo. Helder, o Dom. Uma vida que marcou os rumos da Igreja no Brasil, 105.

Camara, Dom Helder. Circulares Conciliares, I – de 13/14 de outubro de 1962 a março de 1964, II – de 12 de setembro a 22/23 de novembro de 1964, III – de 10/11 de setembro a 7/8 de dezembro de 1965, Obras Completas de Dom Helder, Recife: Cepe, 2009.

De Broucker, José. As noites de um profeta: Dom Helder Câmara no Vaticano II. São Paulo: Paulus, p. 53-54, 2008.


Descubra mais sobre Dom Helder Camara Oficial

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre Dom Helder Camara Oficial

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading