Causos do Dom: Vaticano II: Dom Helder e Dom Larraín iniciam o “Opus Angeli”

Causos do Dom: Vaticano II: Dom Helder e Dom Larraín iniciam o “Opus Angeli”

Colaboração: Pe. Ivanir Antonio Rampon

Para favorecer a colegialidade episcopal, durante a primeira sessão do Concílio Vaticano II, por iniciativa de Dom Helder e Dom Larraín, com o apoio inclusive econômico de Bispos e Cardeais franceses, entrou em funcionamento o “escritório de serviço para a América Latina”, conhecido como Opus Angeli, localizado na Igreja de Montserrat, via Giulia, 151.

A criação do “Trabalho dos Anjos” já era um sonho de Dom Helder. De fato, escrevendo para o seu querido amigo, Dom Larraín, Vice-Presidente do CELAM, em 20 de agosto de 1962, referiu-se ao “sonho comum dos dois e do Pe. Houtart” de organizar, durante o Concílio, um grupo de peritos de alto nível, que seria conhecido como Opus Angeli.

Dom Helder se aproximou de teólogos a fim de construir, em parceria, uma profunda visão teológico-espiritual da história: não somente do passado, mas principalmente discernindo o que o Espírito diz à Igreja no presente em vista do futuro. Não houve assunto relevante no Concílio que não tenha sido analisado pelo Opus Angeli.

Marina Bandeira enfatizou que o Opus Angeli, iniciado por volta de 21 de outubro de 1962, além de assegurar textos mimeografados, “atuava como canal de convergência para a colaboração de teólogos do mais alto nível, de todo o mundo, dispostos a prestar sua colaboração ao Concílio através de pareceres sobre temas relevantes, sugestões de redação mais adequada, ideias a serem levadas em consideração. Os nomes de muitos desses teólogos e demais especialistas nem chegaram a ser conhecidos, pois tratava-se de humilde colaboração assumida, oficialmente, por padres conciliares”.

Dom Helder tinha tamanha veneração por esses homens que realizavam “trabalhos de anjos” a ponto de partilhar com a Família as virtudes deles. Dizia, por exemplo, que Chenu “velho e glorioso” é o “mestre dos mestres no tocante à Teologia das realidades terrestres” e “dele ouvia hinos ao trabalho, no sentido de beleza e glória de completar a criação”; Hans Kung é “o mais audacioso dos nossos teólogos, quando escreve e, ainda mais, quando fala; ele me chama de profeta”; “contento-me em dizer que só faltei matar o Pe. De Lubac de emoção. Há muito que eu esperava uma oportunidade de dizer, de proclamar o que representa para nós – este sim! – um autêntico Profeta…”. Tanta afeição, no entanto, não excluía críticas quando esperava mais desses “anjos”: “Ele [Karl Rahner] formou uma assembleia eleitoral em latim” e “[…] seu latim é uma nulidade”.

Apesar de valorizar intensamente o trabalho prestado ao Concílio, Dom Helder sabia que essa “tropa celestial” tinha as suas falhas. A primeira era a de contar só com sacerdotes (homens). Faltavam os leigos e as leigas. Por isso, Dom Helder entrou em contato com o sociólogo brasileiro Luiz Alberto Gomez de Souza e sua esposa Lucia e com o universitário e escritor Cândido Antonio Marques de Almeida. A segunda falha era a de que quase todos eram europeus. Por isso, ele suscitará encontros internacionais de teólogos e fomentará a nascente Teologia Latino-Americana. A terceira era: “os teólogos, mesmo os maiores entre os maiores, permanecem nas nuvens” e, por isso, os convidava para conhecer e refletir teologicamente a realidade do Nordeste brasileiro.

Pe. Ivanir Antonio Rampon

Teólogo

Algumas fontes

Bandeira, Marina. “D. Hélder Câmara e o Vaticano II”. Petrópolis: Vozes LXXXXII, p. 973-976, 1978.

Camara, Dom Helder. Circulares Conciliares, I – de 13/14 de outubro de 1962 a março de 1964, II – de 12 de setembro a 22/23 de novembro de 1964, III – de 10/11 de setembro a 7/8 de dezembro de 1965, Obras Completas de Dom Helder, Recife: Cepe, 2009.

Camara, Dom Helder. Circulares Interconciliares, III – de 18/19 de abril a 31 de agosto/1 de setembro de 1965, Obras Completas de Dom Helder, Recife: Cepe, 2009.

De Broucker, José. As noites de um profeta: Dom Helder Câmara no Vaticano II. São Paulo: Paulus, p. 53-54, 2008.

Rampon, Ivanir Antonio. Francisco e Helder – Sintonia Espiritual. São Paulo: Paulinas, p.119, 2016.

Rampon, Ivanir Antonio. O caminho espiritual de Dom Helder Camara. São Paulo: Paulinas, p. 200-202, 2013.

Rampon, Ivanir Antonio. Paulo VI e Dom Helder Camara – exemplo de uma amizade espiritual. São Paulo: Paulinas, p. 61 e 72, 2014.


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