Causos do Dom: Dom Helder: inimigo ou herói da Pátria?
O Herói da Pátria contribui significativamente para a História do Brasil
Colaboração: Pe. Ivanir Antonio Rampon
O nome de Dom Helder Camara passou a integrar o Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. O reconhecimento foi oficializado por meio da Lei 15.242, sancionada pelo Presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, em 29 de outubro de 2025 e publicada no Diário Oficial da União. A homenagem, proposta pelo Senador pernambucano Fernando Dueire, inclui o religioso entre as personalidades que contribuíram de forma significativa para a história e os valores do Brasil.
Trata-se de um justo reconhecimento por tudo o que Dom Helder fez pela nossa Pátria, fazendo a paz que brota da justiça, do amor, do perdão. Ele lutou em prol de um Brasil justo, onde todos os brasileiros e brasileiras tivessem o “pão de cada dia” e pudessem viver irmanados.
O título, no entanto, não deixa de ser uma pequena reparação histórica. É que por buscar o bem comum a partir da opção pelos empobrecidos, Dom Helder foi difamado, caluniado, execrado e silenciado pela repressão militar, instalada no Brasil pelo regime político autoritário (1964-1985). O próprio Estado o perseguiu e trabalhou para que este brasileiro não fosse agraciado com o Prêmio Nobel da Paz.
No livro “O Caminho Espiritual de Dom Helder Camara” encontramos a seguinte afirmação: “Abalava profundamente a Dom Helder o fato de (…) não ter acesso a jornais, revistas, rádio, televisão, quando era apontado como o grande inimigo do Brasil e exposto à execração pública. Além disso, seus inimigos pintaram uma bandeira do Brasil na Igreja das Fronteiras com o aviso ‘Brasil, ame-o ou deixe-o’. Desse modo, o acusavam de difamador do Brasil no exterior, de inimigo principal do país…”.
São Paulo VI o considerava “grande homem para o Brasil e para a Igreja” e, o Papa Francisco afirmou: “Os pobres são o centro do Evangelho. E recordo o que dizia aquele santo bispo brasileiro: Quando me ocupo dos pobres, dizem de mim que sou um santo; mas, quando me pergunto e lhes pergunto: ‘Por que tanta pobreza?’, chamam-me comunista”.
Dom Helder, o “Dom da Paz”, foi Arcebispo Auxiliar do Rio de Janeiro, Arcebispo de Olinda e Recife, fundador da CNBB e esteve envolvido em projetos de grande envergadura como a Cruzada de São Sebastião, o Banco e a Feira da Providência, o Movimento de Alfabetização de Base, a Operação Esperança e o Encontro de Irmãos. Foi indicado quatro vezes ao Nobel da Paz e é considerado um dos grandes símbolos da Paz ao lado de Gandhi e Martin Luther King.
O Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, conhecido como Livro de Aço, fica no Panteão da Pátria, na Praça dos Três Poderes, em Brasília, e guarda os nomes de personalidades que contribuíram para a construção do país e da cidadania.
Pe. Ivanir Antonio Rampon
Algumas Fontes
Piletti, Nelson e Praxedes, Walter. Dom Hélder Câmara: entre o poder e a profecia. São Paulo: Editora Contexto, p. 390-391, 2008.
Rampon, Ivanir Antonio. Francisco e Helder – Sintonia Espiritual. São Paulo: Paulinas, p. 122-123, 2016.
Rampon, Ivanir Antonio. O caminho espiritual de Dom Helder Camara. São Paulo: Paulinas, p. 196 e 281, 2013.
Rampon, Ivanir Antonio. Paulo VI e Dom Helder Camara – exemplo de uma amizade espiritual. São Paulo: Paulinas, p. 99-131, 2014.


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