Causos do Dom: Dom Helder defende a democracia: “não” ao golpe de estado contra o Presidente João Goulart

Causos do Dom: Dom Helder defende a democracia: “não” ao golpe de estado contra o Presidente João Goulart

Colaboração: Pe. Ivanir Antonio Rampon

Com todo o Brasil, Dom Helder surpreendeu-se quando, em dia 25 de agosto de 1961, Jânio anunciou sua renúncia, depois de apenas sete meses no Governo. Logo em seguida, o Arcebispo Auxiliar foi informado de que os Ministros militares Odylo Dennys, Sylvio Heck e Gabriel Grun Moss, com o apoio do deputado Ranieri Mazzili, que assumira a Presidência ad interim (pois o vice-Presidente, João Goulart, estava na China), arquitetavam um golpe político para que João Goulart não se tornasse o Chefe de Governo, tendo em vista que Jango, no passado, apoiara, organizações sindicais e movimentos grevistas… O grupo já tinha conseguido apoios, inclusive do ex-Presidente Juscelino Kubitschek. Estes foram procurar Dom Helder para saber como a Igreja reagiria diante do possível golpe.

Armando Falcão e Juscelino Kubitschek expuseram o plano. O Arcebispo ouviu em silêncio e, quando concluíram, disse: “Absurdo! Isso é um movimento de cúpula, sem base! A Constituição tem de ser respeitada! O Jango é o novo Presidente e os ministros militares vão ficar falando sozinhos”.

No final do encontro, Juscelino concluiu que havia “perdido Dom Helder” e desabafou: “É, está tudo perdido. Nosso Dom Hélder está comunizado”. Naquele momento, os golpistas não conseguiram o apoio necessário para chegar ao poder, mas criaram dificuldades, como a adoção do parlamentarismo.

O Presidente João Goulart empenhou-se na luta contra o analfabetismo, incentivando o Movimento de Alfabetização de Base, projeto da CNBB, que contava com apoio oficial do Governo Brasileiro, e que desenvolvia, além da simples alfabetização, a “conscientização”; também apoiou Paulo Freire que, em 1963, elaborou seu método de alfabetização e, com sua equipe, viu adultos lendo e escrevendo em 40 horas de estudos.

Segundo Dom Helder, João Goulart era um rico, um burguês, mas tinha certa sensibilidade pelos problemas do povo. Falava abertamente em reformas e apoiava projetos de alfabetização e conscientização para o povo brasileiro.

Pe. Ivanir Antonio Rampon

Algumas fontes

Cayuela, José. Hélder Câmara – Brasil: ¿un Vietnam católico? Santiago de Chile – Buenos Aires – México – Madrid – Barcelona: Pomaire, p. 34-35, 1969.

de Broucker, José. Helder Camara. La violenza di un pacifico. Roma: Edizioni Saggi ed esperienze, Tipografia Città Nuova, p. 80-81, 1970.

Piletti, Nelson e Praxedes, Walter. Dom Hélder Câmara: entre o poder e a profecia. São Paulo: Editora Contexto, p. 272-273, 2008.

Rampon, Ivanir Antonio. O caminho espiritual de Dom Helder Camara. São Paulo: Paulinas, p. 79-81, 2013.


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