Causos do Dom: Nasce o Banco da Providência e Dom Helder é escolhido o “banqueiro do ano”

Causos do Dom: Nasce o Banco da Providência e Dom Helder é escolhido o “banqueiro do ano”

Dom Helder passou a ser chamado, na segunda metade da década de 50, de “São Vicente das Favelas”, principalmente por causa de sua ação em prol da moradia popular, através da Cruzada de São Sebastião. Ele era cercado por muitas pessoas nas ruas e no Palácio São Joaquim que lhe pediam ajudas. Diante disto, alguns amigos sugeriram que fundasse algo mais organizado e eficiente. Nasceu assim, em outubro de 1959, uma instituição que recolherá donativos dos ricos e dos pobres, de instituições internacionais e do Estado para distribuir aos pobres. A obra recebeu o nome de Banco da Providência.

O Banco não deveria apenas fazer “caridade” e, sim, “justiça”. Por isso, não surgiu apenas como mais uma instituição para atender às necessidades dos empobrecidos, mas, fundamentalmente, como uma nova forma de criar relações entre todas as pessoas, de modo a gerar como consequência a construção de um mundo justo, solidário, fraterno.

Deste modo, o Banco quebrou o paradigma tradicional das instituições assistenciais da década de 50, pelo menos em quatro aspectos: 1) o trabalho era feito pela sociedade civil organizada; 2) o empresariado não devia apenas fazer doações, mas assumir a sua responsabilidade social; 3) o projeto devia ser autossustentável; e, 4) ser um celeiro de voluntariado (“pessoas que existem para se doarem aos outros”, dirá Dom Helder posteriormente).

Para gerenciar o Banco, dispuseram-se Alceu Amoroso Lima, Heráclito Sobral Pinto, Celina Paulo Machado e os brigadeiros Ivan Carpenter Ferreira e Honório Koeler, o general Carlos Paiva Chaves, o embaixador Oswaldo Aranha, os ministros Cândido Mota e Lafaiete Andrade, o ex-ministro e banqueiro Clemente Mariani, o desembargador Murta Ribeiro e ainda vários empresários e profissionais liberais.

Para não receber somente verbas dos ricos, o slogan do Banco era: “Ninguém é tão pobre que não tenha o que oferecer. Ninguém é tão rico que não precise de nada”. Na mensagem de apelo, Dom Helder escreveu que as pessoas podiam ajudar com dinheiro, material de construção, bolsas de estudos, objetos novos e usados, roupas e calçados, uniformes e materiais escolares, serviços médicos e odontológicos, cadeiras, assistência jurídica etc. O sucesso foi imediato. Alguns amigos do Arcebispo Auxiliar, pertencentes à Marinha, tiveram de providenciar uma série de caminhões para recolher as doações. Os banqueiros do Rio de Janeiro, o escolheram “o banqueiro do ano”.

O Presidente Juscelino colocou vários agentes sociais a serviço do Banco da Providência, entre eles Nair Cruz, amiga de Dom Helder. Muitos empresários, políticos, embaixadores fizeram doações. Festas para a elite eram organizadas no Hotel Copacabana Palace destinando os grandes lucros ao Banco. Mesmo depois que Dom Helder tornou-se Arcebispo de Olinda e Recife, o Banco da Providência continuou suas atividades, sendo gerenciado pelos amigos. Desde 2022, o Banco está passando por uma reestruturação organizacional e pensando em novos e inovadores modelos de eventos que gerem mais visibilidade e que sejam financeiramente rentáveis. Dom Helder vai criar um Banco da Providência também na Arquidiocese de Olinda e Recife, na década de 60.

Pe. Ivanir Antonio Rampon

Algumas fontes

Instituto da Previdência. DOM para a Defesa dos Direitos Humanos: A trajetória e a história de 50 anos do Banco da Previdência. Instituto da Providência. Acesso em https://www.institutodaprovidencia.org.br/_files/ugd/c00d30_dfd5b73f4f534b37b5e429e9d67ded6e.pdf

Instituto da Previdência. O Banco da Providência é agora Instituto, com o mesmo propósito de transformar vidas. Instituto da Providência. Acesso em https://www.institutodaprovidencia.org.br/quemsomos

Nascimento, Terezinha. “A trajetória de 50 anos do Banco da Providência: Legado de Dom Helder Camara para a cidade do Rio de Janeiro”. Núcleo de Memória da PUC-Rio. Acesso em http://nucleodememoria.vrac.puc-rio.br/primeiro_site/dhc/textos/terezinhanascimento.pdf

Piletti, Nelson e Praxedes, Walter. Dom Hélder Câmara: entre o poder e a profecia. São Paulo: Editora Contexto, p. 262-253, 2008.

Rampon, Ivanir Antonio. Francisco e Helder – Sintonia Espiritual. São Paulo: Paulinas, p. 120, 2016.

Rampon, Ivanir Antonio. O caminho espiritual de Dom Helder Camara. São Paulo: Paulinas, p. 76-77, 2013.

Rampon, Ivanir Antonio. Paulo VI e Dom Helder Camara – exemplo de uma amizade espiritual. São Paulo: Paulinas, p. 95, 2014.

Sacheti, Pe. Dalcinei (e demais integrantes do Grupo de Espiritualidade e Estudos Re-Vivendo Dom Helder Camara). Dom Helder Camara: um Peregrino da Esperança. Itepa Faculdades. Disponível em https://itepa.com.br/dom-helder-camara-um-peregrino-da-esperanca/.


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