Causos do Dom: Dom Helder e a Cruzada de São Sebastião: Pobres Conseguem Moradia Digna

Causos do Dom: Dom Helder e a Cruzada de São Sebastião: Pobres Conseguem Moradia Digna

Colaboração Pe. Ivanir Antonio Rampon

A conjuntura política brasileira foi desastrosa para o início da Cruzada (1955-1958). Mesmo assim, em janeiro de 1957, algumas famílias foram morar em apartamentos, graças ao empréstimo que Dom Helder fizera no Banco do Brasil por influência do Presidente Juscelino. Em 1959, Dom Helder escreveu:

“A Favela da Praia do Pinto era uma das mais tristes das favelas do Rio de Janeiro. Situada na zona sul da cidade, apresentava contraste violento entre os seus 1.400 barracos infectos (sem água, sem luz, sem esgoto, sem o mínimo de condições humanas) e o bairro do Leblon com seus luxuosos clubes e edifícios imponentes. A Cruzada São Sebastião promoveu a construção, ao lado da Favela, da primeira parte do Bairro São Sebastião: 10 edifícios residenciais com 910 apartamentos, escola, igreja, centro social e mercadinho”.

Para conseguir fundos econômicos, a Cruzada obteve, com o apoio do Presidente Juscelino, terrenos facilmente inundáveis, às margens da Avenida Brasil, para serem aterrados, urbanizados e vendidos em pequenos lotes.

A doação de empresários só atingiu um montante mais significativo depois que Alfred Jurzykowski, Presidente do conselho administrativo e fundador da Mercedes-Benz do Brasil, financiou a instalação de água em 13 favelas e, só no ano de 1963, doou à Cruzada a importância de 65 milhões de cruzeiros. Por esse gesto, deu seu nome a uma escola construída pela Cruzada em Lins de Vasconcelos.

A Cruzada também organizou terrenos para estabelecimentos comerciais, e os futuros comerciantes até faziam empréstimos para que as obras andassem mais depressa.

Nelson Piletti e Walter Praxedes relatam que foi durante a inauguração de um reservatório de água, no Morro Santa Maria, que Dom Helder quis visitar Dona Heronda, que, desde menina, trabalhava em sua casa. Ela quis esconder um rasgo do sofá com uma almofada, mas, ao sentar-se, o Arcebispo Auxiliar tirou a almofada, deixando-a toda envergonhada. Dom Helder custou a acreditar que Dona Heronda morava em lugar tão pobre. Porém, os dias de habitar naquele local estavam contados pois, por meio da Cruzada, ela recebeu o seu apartamento, pago a prestações, na Praia do Pinto. Dom Helder era amado por ricos e por pobres, como a Dona Heronda.

Pe. Ivanir Antonio Rampon

Algumas fontes

Dom Helder Camara. Dados sobre a Cruzada de São Sebastião. Revista Eclesiástica Brasileira. Petrópolis: Vozes, nº 19, p. 636-668, 1959.

Dom Helder Camara. Le conversioni di un vescovo. Torino: Società Editrice Internazionale. Prefazione di José de Broucker, p. 163-164. [Original Lés conversions d’évêque: Editions Seuil, 1977].

Ivanir Antonio Rampon, O caminho espiritual de Dom Helder Camara. São Paulo: Paulinas, p. 70-71, 2013.

Ivanir Antonio Rampon, Paulo VI e Dom Helder Camara – exemplo de uma amizade espiritual. São Paulo: Paulinas, p. 43-44, 2014.

Ivanir Antonio Rampon. Francisco e Helder – Sintonia Espiritual. São Paulo: Paulinas, p. 119, 2016.

Nelson Piletti e Walter Praxedes, Dom Hélder Câmara: entre o poder e a profecia. São Paulo: Editora Contexto, p. 239-241, 2008.


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