Causos do Dom: Dom Helder inicia a Cruzada de São Sebastião

Causos do Dom: Dom Helder inicia a Cruzada de São Sebastião

Com o objetivo de dar uma solução humana e cristã aos problemas das favelas no Rio de Janeiro, Dom Helder fundou a Cruzada de São Sebastião, no dia 29 de outubro de 1955. O nome era uma homenagem ao Santo que, além de ser o padroeiro da cidade carioca, era um dos preferidos pelos pobres.

Não se sabe ao certo, mas calcula-se que o Rio de Janeiro tivesse em torno de 400 a 600 mil pessoas habitando em 150 favelas. Dom Helder pensava que em 10 anos seria possível um Rio de Janeiro sem favelas! Por isso, pediu autorização a Dom Jaime para compor um grupo de colaboradores e conseguir apoio do Governo. O Cardeal Câmara prontamente o apoiou dando-lhe toda a madeira utilizada no Congresso Eucarístico. O grupo da Ação Católica Brasileira, mais uma vez, entrou em ação.

Uma vez, o poeta Tiago Mello foi com Dom Helder visitar as favelas e, vendo as crianças brincando em meio a moscas, porcos, cabras, detritos, galinhas, excrementos… afirmou que era difícil dar nome de vida humana à existência desses favelados, visto as condições em que habitavam, dormiam e comiam. Faltava-lhes o mínimo de conforto, indispensável à dignidade humana. As pessoas dormiam umas em cima das outras, e em algumas barracas só se entrava encurvando-se. Nas favelas faltava água, instalação higiênicas, estradas…

No projeto da Cruzada de São Sebastião, as favelas seriam substituídas por prédios a serem construídos no mesmo local, ou seja, no Leblon, lugar que exibia o extremo da desigualdade social. Para Dom Helder, seria a ocasião de superar a chamada “luta de classes”, aproximando pobres e ricos, morando os trabalhadores vizinhos aos patrões, não obstante as reclamações da burguesia. O Dom queria integrar as favelas na estrutura socioeconômica da cidade.

Em 1959, Dom Helder escreveu que os apartamentos estavam sendo construídos no próprio local das favelas por dois motivos. Primeiro, os habitantes trabalham nas imediações e a cidade não possuia transportes coletivos suficientes. Segundo, é uma tentativa de aproximar as classes, não obstante as reclamações da burguesia. No projeto, além da construção de prédios para moradia, incluíam-se escolas, jardins de infância e alguns centros sociais.

A partir de 1960, o Governador Carlos Lacerda fará o contrário: construirá alguns conjuntos habitacionais para moradores de favelas em região sem urbanização e desvalorizada, a fim de afastá-los da zona sul.

Pe. Ivanir Antonio Rampon

Algumas fontes

Dom Helder Camara. Dados sobre a Cruzada de São Sebastião. Revista Eclesiástica Brasileira. Petrópolis: Vozes, nº 19, p. 636-668, 1959.

Dom Helder Camara. Le conversioni di un vescovo. Torino: Società Editrice Internazionale. Prefazione di José de Broucker, p. 163. [Original Lés conversions d’évêque: Editions Seuil, 1977].

Gladys Weigner e Bernhard Moosbrugger. Helder Câmara: la voce del mondo senza voce, Milano: Centro Missionario PIME, p. 22-23, 1973.

Ivanir Antonio Rampon, O caminho espiritual de Dom Helder Camara. São Paulo: Paulinas, p. 70, 2013.

Ivanir Antonio Rampon, Paulo VI e Dom Helder Camara – exemplo de uma amizade espiritual. São Paulo: Paulinas, p. 43-44, 2014.

Ivanir Antonio Rampon. Francisco e Helder – Sintonia Espiritual. São Paulo: Paulinas, p. 119, 2016.

Nelson Piletti e Walter Praxedes, Dom Hélder Câmara: entre o poder e a profecia. São Paulo: Editora Contexto, p. 233-235, 2008.


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