Poema da Missa: Ante-Vigília do Natal
Pai,
em louvor do Verbo Eterno
que se apaga e se esconde
no seio puríssimo da Virgem-Mãe,
que desejo de mergulhar no silêncio
– calando as palavras de fora
serenando os tumultos de dentro –
ao menos até a noite de Natal!
Seria entender mal a humildade de teu Filho
– O Verbo se fez carne
e habitou entre nós.
É como se me dissesse cada manhã:
“Vai,
encarna-te nos acontecimentos de hoje.
Habita entre teus irmãos,
com todos os riscos que o exílio apresenta
a quem não é Deus de Deus”.
– Verbo Encarnado, meu divino Mestre,
ensina-me
a encarnar-me no quotidiano
e a não fugir de ser homem entre os homens
quando te vejo chegar ao chão dos
homens, Homem Deus!
Rio, 22.12.1948
Dom Helder Camara
Meditações do Padre José, p. 297


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